Do alto das dunas vimos o Ano-Novo nascer. Compondo o ritual de recepção, um imenso balão vermelho desfilava tranquilo tentando iluminar o céu. Por alguns instantes alimentou a fantasia dos mais afoitos que arriscaram um palpite inquietante –“ É um disco voador”!...
A proximidade desfez o engano e a perspectiva fantasiosa de contatos imediatos com seres extraterrenos desfeita foi pela realidade sonora dos fogos ritmados pelo nosso Hino Nacional.
O Ano-Novo acabava de nascer.
O espetáculo assistido do camarote de areia branca das dunas foi para crítico de artes nenhum botar defeito.
Nossa cidade de Fortaleza lá em baixo mais parecia um gigantesco painel bordado com paetês e pincelado com fogo extraído da aquarela de um gênio. Ainda fascinada pela coreografia colorida de fogos de artifício pensei nos que faziam o enredo da festa em diferentes pedaços de chão da minha cidade. Quantos poderiam segurar a esperança o ano inteiro abastecida pelos votos de Feliz Ano-Novo gerado pela fraternidade polida e automatizada. Foi quando lembrei-me da frase que guia minha reflexão o ano inteiro –“ JAMAIS HAVERÁ ANO-NOVO SE VOCÊ CONTINUA A COPIAR OS ERROS DO ANO-VELHO”. Muitos congelam seus erros transportando de ano para ano seu estoque estéril e anseiam sacar da carga inútil, esperança de dias melhores. Esse modelo é semelhante ao da pessoa que resolve viajar visando livrar-se dos problemas que a angustia esquece que sua maneira de encarar também está incluído no roteiro da viagem. A transitória beleza da nova paisagem logo será visualizada pela ótica que determinou a fuga. Isso me faz lembrar a história de dois vendedores escalados para venderem sapatos na Índia. O fabricante dias depois da viagem, recebeu dois telegramas: no primeiro estava escrito: “Estou muito desanimado, aqui não se usa sapatos”. O segundo trazia o seguinte texto: “Estou muito animado, aqui não se usa sapatos”. Concluímos que nada vale mudar o calendário nem os acontecimento que ele marca. Nós é que devemos mudar com relação a esses acontecimentos. Os homens não são, se tornam velhos quando não percebem que o espírito é intemporal.
“JAMAIS HAVERÁ ANO-NOVO SE VOCÊ CONTINUAR A COPIAR OS ERROS DO ANO-VELHO”. Reservo esse espaço para dizer da dimensão do meu contentamento quando leio os números sempre crescentes de acessos ao meu Blog. Com vocês estarei sempre disponível em nossa roda de cadeiras na calçada, lugar ideal para além dos meus agradecimentos pela participação desejar FELIZ ANO-NOVO e nele inserido uma proveitosa inclusão na transformação.
